A agilidade entre a consulta, a definição do tratamento e a realização da cirurgia tem sido um dos principais resultados alcançados pelo Departamento de Mastologia da Santa Casa de Poços de Caldas. Atualmente, o serviço realiza cerca de 100 atendimentos ambulatoriais e entre 20 e 25 cirurgias por mês, de acordo com a demanda recebida.
À frente do departamento está a Cirurgiã Oncológica Dra. Ana Gabriela Clemente Galil, que atua na Santa Casa desde 2020 e, há quase dois anos, dedica-se especificamente ao atendimento das doenças da mama. Segundo a médica, atualmente não há fila para as cirurgias da especialidade.
“Quando uma paciente chega para marcar a cirurgia, conseguimos agendar para a semana seguinte ou, no máximo, em duas semanas. Para um serviço público, esse é um resultado excepcional”, afirma.
O curto intervalo entre as diferentes etapas do cuidado também é mantido quando a paciente precisa realizar quimioterapia antes do procedimento cirúrgico. Após a conclusão dessa fase, ela retorna à Mastologia para dar continuidade ao tratamento dentro do período indicado para o seu caso.
Para a Dra. Ana Gabriela, esse resultado é possível graças à integração entre os profissionais envolvidos na assistência. Além da ginecologista Dra. Gabriela Sá, o atendimento conta com a atuação da equipe da UNACON que incluem os médicos oncologistas clínicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e médicos residentes de ginecologia.
“Não é um trabalho feito por uma única pessoa. Temos uma equipe muito comprometida, que permite oferecer às pacientes o melhor atendimento possível dentro da nossa realidade e em um intervalo muito curto de tempo”, destaca.
Quando há qualquer aumento na demanda, o próprio serviço organiza mutirões para evitar o surgimento de fila. A meta é que, após a indicação, a paciente seja operada em até 30 dias, sempre que as etapas que envolvem a instituição e a equipe médica permitirem.
Um dos tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma. A estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer aponta 78.610 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Em 2023, foram registrados 20.165 óbitos em decorrência do câncer de mama feminino. Os dados são do INCA.
A doença não possui uma causa única. Seu desenvolvimento pode estar relacionado à combinação de fatores genéticos, reprodutivos, hormonais e comportamentais. Entre eles estão idade, histórico familiar, menstruação precoce, menopausa tardia, ausência de gestação, obesidade, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e uso de terapia de reposição hormonal.
Alguns desses fatores, como idade e histórico familiar, não podem ser modificados. Por isso, a orientação é atuar naquilo que pode ser incorporado à rotina, como manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, praticar atividade física regularmente, não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e utilizar hormônios somente com acompanhamento médico.
“Há fatores que não conseguimos mudar, mas precisamos cuidar daquilo que está ao nosso alcance. Manter um peso saudável, ter uma boa alimentação e praticar atividade física são atitudes que ajudam a reduzir o risco”, explica a cirurgiã oncológica.
Autoexame não substitui a mamografia
Observar e tocar as mamas é importante para que a mulher conheça o próprio corpo e perceba possíveis alterações. Entretanto, o autoexame não substitui os exames de rastreamento e não deve ser considerado o principal método para o diagnóstico precoce.
De acordo com a Dra. Ana Gabriela, quando um nódulo já pode ser percebido pelo toque, geralmente atingiu um tamanho maior do que aquele que poderia ser identificado pela mamografia.
“O autoexame ajuda a mulher a conhecer a própria mama, mas não exerce o mesmo papel da mamografia no diagnóstico precoce. A mamografia consegue encontrar alterações antes que elas sejam palpáveis”, esclarece.
A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que mulheres com risco habitual façam mamografia anualmente dos 40 aos 74 anos, e de forma individualizada a partir dos 75 anos. Já a estratégia de rastreamento populacional adotada pelo Ministério da Saúde estabelece o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres entre 40 e 49 anos também podem ter acesso à mamografia pelo SUS, após orientação sobre os benefícios e possíveis riscos. Casos com sintomas, histórico familiar ou risco aumentado devem ser avaliados individualmente por um profissional de saúde. Sociedade Brasileira de Mastologia e Ministério da Saúde.
Alterações também precisam ser investigadas em mulheres jovens
Embora o câncer de mama continue sendo mais frequente após os 50 anos, a equipe da UNACON também tem recebido mulheres mais jovens com o diagnóstico. Para a médica, a ampliação do acesso aos exames, as mudanças nos hábitos de vida, fatores reprodutivos e mutações genéticas hereditárias podem contribuir para que esses casos sejam identificados com maior frequência.
Nessa faixa etária, um dos desafios é a percepção de que uma mulher jovem não teria risco de desenvolver a doença. Com isso, nódulos e outras queixas podem ser associados a alterações benignas, à gestação ou à amamentação, adiando a investigação.
“Uma mulher de 30 anos, quando percebe alguma alteração, muitas vezes acredita que não seja nada. Mesmo sem histórico familiar, as queixas mamárias precisam ser valorizadas e investigadas”, orienta.
A atenção é especialmente importante porque alguns tumores encontrados em mulheres jovens podem apresentar comportamento mais agressivo. Isso não significa que todo nódulo seja câncer, mas indica a necessidade de procurar avaliação médica diante de qualquer mudança persistente.
Tratamento é definido para cada paciente
Não existe um tratamento único para todos os casos de câncer de mama. A conduta depende de fatores como tamanho do tumor, estágio da doença, características biológicas, localização e condições clínicas da paciente.
A equipe também avalia se a doença está restrita à mama ou se atingiu outras regiões do organismo. A partir dessas informações, é definida a ordem das diferentes modalidades de tratamento, que podem envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, bloqueio hormonal e outras terapias.
“O tratamento é muito individualizado. Algumas pacientes começam pela cirurgia, enquanto outras precisam fazer quimioterapia antes. Cada mulher deve ser avaliada como um todo para que possamos escolher a melhor estratégia”, explica.
Segundo a médica, os avanços no diagnóstico e nas opções terapêuticas têm proporcionado resultados cada vez mais favoráveis. A definição adequada da sequência do tratamento e a agilidade entre as etapas são fundamentais para oferecer melhores perspectivas às pacientes.
CETAS permitirá ampliar o atendimento
A expectativa é que a conclusão do Centro de Tratamento Avançado em Saúde (CETAS), voltado às áreas de Oncologia e Nefrologia, abra novas possibilidades para a assistência prestada pela Santa Casa.
Para a Mastologia, a nova estrutura poderá permitir a ampliação do número de consultas e cirurgias, mantendo como prioridade o controle do tempo de espera.
“Queremos aumentar os atendimentos e as cirurgias sem deixar que uma fila seja formada. O tempo é muito importante para essas pacientes, e os resultados que estamos alcançando são muito favoráveis”, conclui a Dra. Ana Gabriela.



