A Santa Casa de Poços de Caldas registrou, recentemente, um parto raro e de grande relevância obstétrica: o nascimento de gêmeas por parto normal, com apenas 10 minutos de diferença entre os nascimentos.
A mãe, Flávia Gabriela Rodofi Negrini Ferreira, de 23 anos, deu à luz às gêmeas Agnes e Lilian, com 36 semanas de gestação. O pai é André Luiz Ferreira Teixeira, de 25 anos. O parto foi conduzido pela equipe de plantão da Maternidade, sob acompanhamento da ginecologista e obstetra Dra. Júlia Viana.
Segundo a médica, trata-se de uma situação pouco frequente na prática obstétrica. “É um parto raro por vários fatores. Trata-se de uma gestação gemelar monocoriônica diamniótica, ou seja, uma placenta compartilhada e duas bolsas amnióticas, e para que o parto vaginal seja possível, os dois bebês precisam estar cefálicos, de cabecinha para baixo, o que, nesse caso, aconteceu”, explica a Dra. Júlia.
Indução planejada e condução humanizada
A indução do parto foi eletiva, opção feita pela própria paciente após diálogo detalhado com sua obstetra e com a equipe da Santa Casa. Flávia já havia passado por um parto vaginal anterior, fator que também contribuiu para a decisão clínica.
“Utilizamos dois comprimidos de misoprostol via vaginal. Após a indução, a bolsa rompeu espontaneamente e as contrações se iniciaram rapidamente. Não foi necessário o uso de ocitocina, respeitando o desejo da paciente por uma condução mais natural e expectante”, detalha a médica.
A indução começou por volta das 9h da manhã. Agnes nasceu às 17h38 e Lilian às 17h49, em um intervalo de apenas 10 minutos, sem intercorrências.
“A força de vontade da Flávia foi fundamental. Ela persistiu, teve paciência e contou com uma equipe inteira preparada e muito envolvida. Estávamos todos esperando esse parto”, reforça a obstetra.
Segurança técnica e decisão compartilhada
A Dra. Júlia explica que, em casos de gestação gemelar monocoriônica monoamniótica (uma placenta e uma única bolsa), a recomendação costuma ser a resolução mais precoce, em torno de 34 semanas, geralmente por cesariana. No entanto, no caso de Flávia, o cenário clínico permitiu a condução do parto normal com segurança.
“Como era uma gestação monocoriônica diamniótica, com duas bolsas e os dois bebês cefálicos, não havia contraindicação. Isso nos permitiu conduzir o parto da melhor forma possível”, afirma.
A vivência da mãe
Flávia conta que o desejo pelo parto normal esteve presente desde o início da gestação. “Desde que descobri que eram gêmeas, eu queria essa possibilidade. Conversei muito com a médica, ela explicou todos os riscos. Se fosse preciso cesárea, tudo bem, mas não era a minha primeira opção”, relata.
Mesmo com a ansiedade natural do momento, o parto surpreendeu pela rapidez.
“Eu achei que seria normal, mas não imaginei que fosse tão rápido. A tentativa vem muito da gente, de manter a calma, de respirar. Na hora da dor a gente até questiona a escolha, mas assim que eles nascem, tudo passa”, conta.
Ela também destaca o cuidado recebido pela equipe da Santa Casa. “Não tenho do que reclamar. Foi assim com meu primeiro filho e foi assim com elas também. Toda a equipe foi ótima.”
Flávia relembra ainda que uma das bebês, Lilian, chegou a apresentar outras posições durante a gestação, o que gerava apreensão.
“A Agnes sempre foi cefálica, mas a Lilian já ficou sentada e até transversal. Quando ela virou, com 32 semanas, a médica falou: agora não temos mais contraindicação nenhuma, é só querer”, relembra.
Recuperação e sentimento de realização
Já no pós-parto, Flávia afirma estar segura de que fez a escolha certa.
“O parto normal dá medo, principalmente por falta de informação. Mas o pós-parto é muito tranquilo. Passou, acabou. Em poucos dias a gente já está bem. Foi um sonho que se tornou realidade, com apoio do meu marido e da equipe”, finaliza a mamãe das gêmeas



