Espetáculo idealizado por Jucilene Buosi propõe escuta descolonizada da canção brasileira
O Teatro da Urca recebe neste sábado, 29 de novembro, às 19h, o espetáculo Desconcerto, idealizado pela cantora, atriz, produtora cultural e educadora Jucilene Buosi, em parceria com o pianista e arranjador Paulinho Faria e o violinista Gustavo Fechus. O projeto convida o público a experimentar a canção brasileira fora dos rótulos costumeiros do mercado. A entrada é franca.
A proposta é oferecer uma escuta aprofundada, delicada e livre de hierarquias entre o que se convencionou chamar de “popular” e “erudito”. Através de arranjos camerísticos e interpretações refinadas, Desconcerto propõe um gesto de valorização estética e descolonização da técnica vocal, reconhecendo a música brasileira de alta complexidade como parte do repertório digno de palcos, estudo e reverência — assim como ocorre com o cânone europeu.
No repertório, canções de autores que marcaram a história da música brasileira, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Tavinho Moura, Fátima Guedes, Toninho Horta, João Bá, Vidal França, Vinicius de Moraes, Dércio Marques e Djavan, entre outros. As peças são apresentadas com formações variáveis — piano, violino e voz.
“O Desconcerto nasceu da escuta, do desejo de cantar nossas canções com o mesmo rigor e liberdade com que se canta um lied ou uma ária. É um convite à atenção. À sofisticação da escuta. À descolonização da técnica. Um elogio à canção brasileira como centro, não como alternativa”, define Jucilene.
Sobre os artistas
Jucilene Buosi é cantora, atriz, produtora cultural e professora de canto. Reconhecida por sua atuação na pesquisaq e interpretação da música sul-mineira, já lançou cinco álbuns e participou de dezenas de projetos incentivados em Minas Gerais e São Paulo. Foi premiada pelos projetos Rumos Itaú Cultural e Cantoras Daqui (BDMG Cultural), além de semifinalista no Concurso Internacional de Canto Lírico Bidu Sayão. Formada em Canto pela Faculdade Carlos Gomes (SP) e pelo Conservatório de Pouso Alegre, atualmente leciona nos Conservatórios de Tatuí e Poços de Caldas.
Paulinho Faria é pianista, arranjador e compositor com atuação destacada na cena instrumental e autoral de Minas Gerais. Obteve premiações diversas como Troféu João Ceschiatti por melhor trilha sonora e Festival da Radio Mec.
Acompanhou Roberta Miranda, Crysthian e Ralf, Walter Franco e Dércio Marques que gravou duas de suas músicas no antológico álbum Segredos Vegetais. Suas colaborações com diversos artistas regionais ajudaram a moldar a identidade da música sul-mineira, sempre pautadas pelo cuidado com a harmonia, a escuta e a construção coletiva.
Gustavo Fechus é violinista, compositor e escritor. Sua formação combina técnica camerística com liberdade criativa, o que confere ao projeto uma sonoridade inventiva e sensível. Premiado como jovem Instrumentista e Jovem Escritor pelo BDMG Cultural.
O Desconcerto é viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Poços de Caldas, com o patrocínio da GrandPneus.
ENTREVISTA – Jucilene Buosi
1. Quem é Jucilene Buosi para além da cantora e intérprete?
Sou uma pessoa múltipla e trago isso para minha arte. Canto, atuo, produzo, ensino. Venho de uma trajetória que cruza o canto lírico, a música popular brasileira e o desejo de investigar e valorizar o que é nosso. Há mais de duas décadas, me dedico a pesquisar e cantar a música de compositores do Sul de Minas — um território musical riquíssimo que merece escuta atenta.
2. Como nasceu o projeto Desconcerto?
Nasceu do incômodo — e do encantamento. Incômodo com as caixas que a história tenta impor à nossa música: o que é erudito, o que é popular, o que é menor. E encantamento com a altíssima sofisticação da canção brasileira. O Desconcerto quer colocar essas canções no centro do palco, tratadas com a mesma escuta, técnica e cuidado dedicados à música de câmara. É um concerto — mas também um gesto de desvio.
3. O que o público pode esperar do espetáculo?
Um repertório profundo, mas acessível. Canções de Gil, Chico, Milton, Fátima Guedes, Caetano, Tavinho Moura, entre outros, revisitadas em arranjos camerísticos, com voz, piano e violino. O público vai reconhecer melodias queridas — e talvez ouvi-las como nunca antes. Vai se emocionar, mas também vai pensar: por que chamamos de popular uma música que é, muitas vezes, mais complexa que a dita erudita?
4. Fale um pouco dos músicos que te acompanham.
Tenho a alegria de dividir o palco com Paulinho Faria, pianista de formação mista erudita e popular. Ele assina os arranjos do espetáculo, equilibrando rigor e liberdade. No violino, tenho Gustavo Fechus, músico jovem e talentoso que traduz, com sensibilidade, a alma dessas canções. Ambos são fundamentais para que o Desconcerto aconteça com a força e delicadeza que desejamos.
5. Por que esse título — Desconcerto?
Porque ele contém o espírito do projeto. Estamos desconstruindo certezas: o que é um concerto? O que é música de câmara? O que é alta cultura? Ao mesmo tempo, o nome brinca com o efeito que queremos provocar: desconcertar mesmo, tirar o público do lugar comum da escuta, abrir espaço para outra experiência sonora.
6. O que você diria para quem nunca ouviu falar do projeto e está decidindo se vai ao show?
Se você ama a canção brasileira, venha. Se você gosta de música que emociona e desafia, venha também. O Desconcerto é para quem quer ouvir de outro jeito. É um convite à escuta, ao encontro, à descoberta. Não é preciso entender de técnica — só estar disponível para sentir.
Serviço
DESCONCERTO
29 NOV 2025 | SAB | 19h
Espaço Cultura da Urca, Poços de Caldas



