De 27 a 30 de novembro, o cinema exibe ainda O grande golpe de Shaft, A queda do céu, e Depois da caçada
No mês da Consciência Negra, o Cinema do IMS em Poços apresenta uma programação que celebra o cineasta e fotógrafo americano Gordon Parks (1912-2006) e a potência do diálogo entre imagem e música.
Nesta quinta-feira, 27, às 19h, o centro cultural promove uma sessão gratuita do longa-metragem Shaft (1971), dirigido por Parks, seguida de uma apresentação do pianista Amaro Freitas, concebida pelo músico a convite do IMS.
Marco da cultura negra nos EUA, Shaft gira em torno do detetive John Shaft, contratado por um chefe do crime de Nova York para encontrar sua filha sequestrada. O roteiro, baseado em romance de Ernest Tidyman, foi transformado por Parks em um símbolo cultural que subverteu o papel historicamente submisso de personagens negros em Hollywood. Sucesso de bilheteria, o longa também influenciou gerações com a trilha sonora composta por Isaac Hayes, cuja música tema recebeu o Oscar de Melhor Canção Original em 1972.
Inspirado pela estética, narrativa e sonoridade de Shaft, Amaro fará uma apresentação, na sequência do filme. Com sua linguagem inventiva e profundamente enraizada na música afro-brasileira, Amaro estabelecerá diálogos entre o legado do filme e as pulsões contemporâneas do jazz e da música negra global.
Na sexta, 28, às 19h, Shaft retorna à tela em exibição regular, sem apresentação. No sábado, 29, às 16h, o público confere O grande golpe de Shaft (1972), também de Parks, continuação do clássico.
As sessões reforçam a importância do legado de Parks, um dos grandes nomes da fotografia mundial, responsável por documentar a história da população negra norte-americana no século 20, e também cineasta consagrado, sendo citado como referência por diretores contemporâneos como Ava DuVernay e Spike Lee. Atualmente, sua obra é exibida na exposição de fotografias e mostra de filmes Gordon Parks: a América sou eu, em cartaz na sede do IMS de São Paulo.
Outros destaques da programação
O sábado, 29, às 19h, traz ainda a exibição de A queda do céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, documentário inspirado nas palavras de Davi Kopenawa Yanomami, que convoca o espectador à escuta dos povos originários.
Encerrando o mês, o domingo, 30, abre às 16h com nova sessão de A queda do céu, seguida, às 18h30, por Depois da caçada, de Luca Guadagnino, drama contemporâneo estrelado por Julia Roberts e Andrew Garfield, que aborda ética, poder e vulnerabilidade.
Sobre Amaro Freitas
Nascido em Recife em 1991, Amaro Freitas é uma das vozes mais inovadoras da música contemporânea. Filho de um líder de banda evangélica, começou sua formação musical aos 12 anos e rapidamente se destacou na cena jazzística do Brasil e do mundo. Com um estilo próprio, marcado pela improvisação, ancestralidade afro-brasileira e desconstrução das formas tradicionais do piano, Amaro já se apresentou em festivais como Montreux Jazz (Suíça), Ronnie Scott’s (Londres), além de colaborações com artistas como Milton Nascimento, Dom Salvador, Criolo e Lenine.
Com álbuns aclamados como Sangue Negro (2016), Rasif (2018), Sankofa (2021) e o mais recente Y’Y (2024), lançado pelo selo norte-americano Psychic Hotline, o pianista vem sendo celebrado por veículos como DownBeat, Pitchfork e All About Jazz. Em 2025, recebeu o Prêmio da Música Brasileira de Melhor Álbum de Música Instrumental para Y’Y.



